O Monitor Cardíaco mostrava oscilações na minha frequência cárdica sabia que aquilo era o meio que me levaria ao um fim trágico, nossa aquela dor era horrível não sabia o que fazer o câncer do intestino já havia prejudicado circulação, intestino grosso e delgado já não faziam mais a sua função, alimentos era desgastante a tentativa de alimentar me estava a base de soro, com certeza a morte era eminente.
O quarto branco já velho deixava um tom amarelado que não era muito agradável a meus olhos, mas não me contentava com nada, meu egoísmo e sarcasmo me levaram ali sem a companhia de ninguém, pois não precisava de ninguém era assim que pensava, quando meu companheiro de quarto que o tratava com desdém por ser portador do vírus da AIDS morreu fiquei aliviado minha mente era ainda revestida de preconceitos idiotas e banais, foi quando chegou uma paciente muito grave tão grave quanto eu mas não sabia o que ela poderia ter, ela era linda cabelos brancos com pontas azuis me indicavam uma mulher viva, 1/5 da marca aliança já desaparecido indicava que ela seria separada a alguns messes arriscaria 18 messes, a tinta já era meia desbotada indicava uns 5 messes ou até 7, então o que sabia dela era: Se chamava Joana, tinha 52 anos, separada recentemente e decidira viver a vida intensamente aproveitando o que não aproveitou, seria uma terapia pra recuperar-se de uma casamento ruim, muito ruim pelo sinal. Passavam-se os dias ela falava comigo era muito educada e meiga, ela puxava assunto comigo como: - Quantos anos têm?
- 50. Respondia ela e logo fechava a cara pra ela não mais me perguntar nada.
- Parece que não quer falar comigo, tudo bem, muitos não querem mais falar comigo.
O silencio pairou até que disparou o meu monitor cardíaco enquanto eu era atendido ela olhava com olhos assustados sem saber o que realmente fazer, a morte assustara aqueles olhos castanhos ela apavorou-se logo após minha recuperação, eu não sabia o que fazer, não sabia o que sentia queria consolará, mas, minha voz não saia eu não podia falar a morfina me deixava dopado e sem raciocínio lógico, ela olhava pra mim eu balbuciava palavras sem sentido ela sentou-se ao meu lado e disse que estaria comigo ali, apertou a minha mão e eu chorei, não compreendia, mas queria alguém pra me dizer que ficaria tudo bem, mesmo eu sabendo que não era verdade, a minha vida era pouco a pouco em uma velocidade cada vez maior ceifada pelo câncer, e só ela estava comigo, por que só ela não vira o quanto eu era cruel.
Sousa²
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